II
Vento.
Estava bem alto por baixo das estrelas.
Corria e ia assobiando: três melodias diferentes
para cada quarteirão.
Fazia frio.
As janelas estavam fechadas;
as cortinas estavam corridas.
As cortinas não destruíam
o frio.
Não o matavam:
não o deixavam apodrecer cortado pelo seu próprio ser.
Permitiam-lhe entrada.
E ele
vingava-se de mim.
Por eu o querer morto!
(– MORTO!!)
Nem a lareira apagada.
Nem a lareira vazia de cinzas.
Só eu. E ele.
Como dois revólveres.
E eu
sem pólvora…
I
Tudo isto para mim é muito estranho.
Ver-te ali,
a correr para cair. A decidir desaparecer.
Olhar:
ver-te ainda jovem,
de pele rugosa. Decidida.
E finalmente a cair.
Ali, onde uma moeda não cabe
nem perdida.
Ali,
onde o pó tem dificuldade em caber.
Caixa-de-papel: Escrever.
Hoje penso, sinto e escrevo
Não penso que sinto
Sinto que escrevo e não minto
Penso que escrevo o que sinto
E minto quando sinto que penso
Hoje sinto, penso e escrevo
Escrevo o que sinto
Penso o que escrevo
E não minto
Sobre o amanhã que escrevo que sinto.
Sinto que me atrevo…