Sozinho a desenhar


Tarde

Publicado em Papel por Hugo Torres no Novembro 17, 2005

É rouca a precisão de uma bala disparada ao metal vertebral. A gritar que te roubo a vida, a berrar que me rasgas o pulso.

Três da tarde, hora de almoço fugidio enamorado pela pressa de um relógio que se vê no sol – a caminho do Inverno: já baixa. Único acordar não sente a porta bater-lhe por trás. Decide-se num trabalho amuado, garganta em nó, dedos enlaçados. O mundo empobreceu horas de sono. Há que fugir.

Deambulo, pertinentemente, por corredores disfarçados de saber, de incêndio-geração-espontânea de almas apaixonadas. Féculas. Apenas. Ou é algo que não vejo; ou é algo que não me encontra. Ou a aceitação de nada é boa.

A porta bate lá atrás, com a mão que se vê dentro.

Decreto

Publicado em Papel por Hugo Torres no Novembro 8, 2005

Socioeconomia desistente dos bebés nas máquinas. Da tinta apagada para os cinco dedos da língua. O gume afiado do ponto fraco da barba: vermelho preocupado em italiano faminto. Isto é diferente. Isto sente-se: frente!
Combina para logo. Diz-lhe que mais logo o estado; depois o processo. Tem que ver com a qualidade dos estudos nas horas geladas.
A socioeconomia é a teoria da definição da não-Natureza das coisas. Sob o olhar dos lápis das instituições. Sem objectivo prático que se veja. O orçamento vai ser cortado ao coração: quem se habituou, que se aguente.

Publicado em Aforismos por Hugo Torres no Novembro 6, 2005

A luz da lua é o olhar carinhoso do sol, que espreita sobre o ombro do mar.

Publicado em Aforismos por Hugo Torres no Novembro 1, 2005

Sou um preguiçoso a trabalhar compulsivamente.