Tarde
É rouca a precisão de uma bala disparada ao metal vertebral. A gritar que te roubo a vida, a berrar que me rasgas o pulso.
Três da tarde, hora de almoço fugidio enamorado pela pressa de um relógio que se vê no sol – a caminho do Inverno: já baixa. Único acordar não sente a porta bater-lhe por trás. Decide-se num trabalho amuado, garganta em nó, dedos enlaçados. O mundo empobreceu horas de sono. Há que fugir.
Deambulo, pertinentemente, por corredores disfarçados de saber, de incêndio-geração-espontânea de almas apaixonadas. Féculas. Apenas. Ou é algo que não vejo; ou é algo que não me encontra. Ou a aceitação de nada é boa.
A porta bate lá atrás, com a mão que se vê dentro.
Decreto
Socioeconomia desistente dos bebés nas máquinas. Da tinta apagada para os cinco dedos da língua. O gume afiado do ponto fraco da barba: vermelho preocupado em italiano faminto. Isto é diferente. Isto sente-se: frente!
Combina para logo. Diz-lhe que mais logo o estado; depois o processo. Tem que ver com a qualidade dos estudos nas horas geladas.
A socioeconomia é a teoria da definição da não-Natureza das coisas. Sob o olhar dos lápis das instituições. Sem objectivo prático que se veja. O orçamento vai ser cortado ao coração: quem se habituou, que se aguente.