novas leituras
Arrancou ontem uma nova estória debaixo dos olhos: O Leitor (Der Vorleser, no original), de Berhard Schlink (1995). A sugestão saiu das dezenas com que José Manuel Mendes salpicou a ‘Conversa no Tanque’ da Velha-a-Branca, Braga, no passado domingo. Deixo-vos dois trechos da primeira parte da obra. Estou a gostar.
«A paisagem é plana, ou muito suavemente ondulada. Não há árvores. O dia está luminoso, o sol brilha, o ar reverbera, e a estrada cintila de calor. As paredes laterais do prédio fazem-no parecer recortado, incompleto. Aquelas poderiam ser as paredes de qualquer prédio. A casa não é ali mais sombria do que a da Rua da Estação. Mas as janelas estão cobertas de pó, não deixam adivinhar nada dentro das divisões, nem sequer as cortinas. A casa é cega.»
«Porquê? Por que razão, quando olhamos para trás, o que era bonito se torna quebradiço, revelando verdades amargas? Por que razão se tornam amargas de fel as recordações de anos felizes de casamento, quando se descobre que o outro tinha uma amante durante todo aquele tempo? Por que não era possível ter sido feliz numa situação assim? Contudo, fomos felizes! Por vezes, quando o final é doloroso, a recordação trai a felicidade. Por que é que a felicidade só é verdadeira quando o é para sempre? Por que é que só pode ter um final doloroso quando já era doloroso, ainda que não tivéssemos consciência disso, ainda que o ignorássemos? Mas uma dor inconsciente e ignorada é uma dor?»
em Janeiro 24, 2007 em 12:50 pm
Dois excertos muito bem escolhidos. Dá vontade de devorar o livro.
Boa questão, a última. Fez-me pensar…
em Janeiro 24, 2007 em 4:02 pm
Eheheh. Neste levo-te avanço. Queres que conte a história?
em Janeiro 24, 2007 em 10:13 pm
estou mesmo, mesmo a acabar. mas obrigado à mesma.