O que o corpo requer não é decerto a escrita
mas a redonda e cálida e fresca plenitude do dia
Se escrevo sentado perante uma página branca
é porque sinto o voluptuoso alvor de uma clara liberdade
que está além da palavra porque é a nudez límpida
de que a página é apenas um supérfluo simulacro
e que só nas ancas flexíveis e possantes
de uma figura que não é mais que a exalação do dia
encontra a perfumada esfera que tem no centro e aérea rosa
que embriaga e simplifica que desnuda e inicia
como se ela fosse a flor branca do poema
que não desabrocha na página mas é o seu destino latente e inacessível
(Antóno Ramos Rosa, 2001. As Palavras. Porto: Campo das Letras)
a ver, a ver, a ver…
Ontem, hoje e nos próximos dois dias estou pelo Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim. Podem acompanhar as andanças no blogue que o Rascunho criou propositadamente para a iniciativa, aqui. Para já, na companhia têm andado os amigos Miguel e Gonçalo. Apareçam – quem não estiver de vermelho.
