Sozinho a desenhar


Caixa-de-papel: Malmequer

Posted in Papel por Hugo Torres em Novembro 10, 2004

Este sou eu. Apresento-me ao mundo por diapositivos sem sentido. Negativo. Desordeno-me. Acabo-me e recomeço e choro e corro e choro e a mim me minto e a ti te sinto e choro e abraço a melancolia e espero-me no teu sorriso e no teu olhar e no teu jeito; na tua boca.
Este sou eu. Apresento-me assim. Dá-me a ti. Dá-me tu. E minto e choro e arranjo forças para sorrir e dizer olá. Dás-me a mim. Não me recebo e minto e choro e corro para o lado de lá onde tu não te encontras e choro e sinto que minto.
Este sou eu. Represento-me por códigos dos quais só eu sei as regras. Choro e minto. Finjo o que sinto. Planeio e arquitecto o acaso. Apaixono-me pelo Amor. O Amor. Sei de ti por mim. Não te conheço! A ti e a ninguém vos vejo do mesmo ângulo: este. E este sou eu.
E esse é o teu cabelo.

Braga,
4 de Março de 2004

Também eu acabarei por morrer

Posted in Post-it por Hugo Torres em Novembro 10, 2004

Sei que um dia, mais cedo ou mais tarde
Também eu acabarei por morrer
Mas se hei-de esperar a morte na solidão do quarto
No conforto asséptico do isolamento
Antes então o gume da liberdade
Entregar-me à vida perdidamente.

Lisboa,
Junho e Julho de 1999

Adolfo Luxúria Canibal

Caixa-de-papel: Epílogo

Posted in Poesia por Hugo Torres em Novembro 9, 2004

Peso.
Elevo-me à subordinação do ser.
Esfaqueio-me e no cume jaz o coração.
Estou morto.
Estou aqui.
Sou leve.
Faleci.
Olho-te de cima a baixo: observo.
Escravizo-te na certeza de som.
Obscuro, brilhante, nocturno, incessante:
Grito a agonia da morte
Suicido-me na estrada da sorte.
Sou eu, estou morto.
Sou eu, levo-me daqui.
Quem vier que te leve,
Pois eu já faleci.

Descansa amigo, tu também morrerás
no fim…