Sozinho a desenhar


Guitarra

Posted in Post-it por Hugo Torres em Abril 29, 2005

Quando uma guitarra trina
Nas mãos de um bom tocador
A própria guitarra ensina
A cantar seja quem for

Eu quero que o meu caixão
Tenha uma forma bizarra
A forma de um coração
A forma de uma guitarra

Guitarra, guitarra querida
Eu venho chorar contigo
Sinto mais suave a vida
Quando tu choras comigo

*Letra dos Poetas do Fado (Popular)

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Era uma vez um dia

Posted in Papel por Hugo Torres em Abril 26, 2005

O Amor não me fica bem. Parto muitas vezes na sua senda. Às vezes, encontro-o. Às vezes, antes de o encontrar, descubro-o. Mas o Amor não me fica bem.
Digo que muitas coisas, muitas pessoas bonitas já se amaram. Comigo. Por este olho cor de amêndoa. Este olho que ama. Este olho que liga o amável ao amante – eu.
E o mundo – do amável – está sempre disponível: sempre nos dá coisas para amar, sempre deixa ser amado. E, por ele, fiz canções, músicas, prosas e poemas (uma vez ou duas, um desenho, e até um grito!), que nunca sairão das paredes de tijolo ou de papel em que foram feitas. Mas essas paredes são mundo. E o mundo sabe, porque o mundo ouviu.
O mundo transformou-se. Correu e foi dar-se às outras pessoas. Amaram-no com a vontade da primeira vez: enroscaram-se e o Amor fez-se ali mesmo em cima da mesa. E o mundo transformou-se. E foi dar-se às outras pessoas. E transformou-se…
Eu já fiquei tão para trás que já nem o vejo. Ele às vezes liga, às vezes, escreve. Às vezes não diz nada. E eu apaixono-me por ele perdidamente! Sempre que ele faz uma dessas coisas. Apaixono-me perdidamente. O coração bate com muita muita força. O olho – cor de amêndoa – às vezes chora, às vezes gargalha alto alto alto.
Às vezes queria ser gaivota, e ir voar por cima do mar. E não ter que me apaixonar. Não accionar aquela parte do cérebro a que chamamos coração. Não amar. A não ser aquela imensidão azul, do mar e do céu, e as formas brancas do algodão doce das nuvens e o amarelo, o laranja, o fogo do sol, os peixes que vêm cá acima dizer olá e mergulham de novo mar adentro, o vento frio norte, rejuvenescedor…
E nunca chegar a noite: porque tenho medo do escuro: que não vejo por que me apaixono.

* Escultura de Dali: Egg Birth

Tinta Permanente

Posted in Poesia por Hugo Torres em Abril 5, 2005

Tens
pena
do verde
calcado,

Do azul
cinzento
prateado

Da ferrugem
no cesto
da escola
pintado,

De,
às horas
do dilúculo,
ver
a nuvem
no céu
não-azul

Tens
pena
de quem
te diz:
– Cuidado!

Espelhos

Posted in Poesia por Hugo Torres em Abril 4, 2005

Olha
para ti
no pedestal
da luz
além
nuvens

Volta
o mar
para
o mundo

Que o horizonte
é
de cá
do azul
mais profundo.