Sozinho a desenhar


Olá

Posted in Poesia por Hugo Torres em Junho 22, 2005

Quando acordares
diz baixinho: – Olá!,
ao travesseiro.

Olha para o lado:
olha os olhos:
deixa para lá
o travesseiro.

Não: não
lhe digas olá: olha.
E quando olhares muda.
Existem
gestos no meio dos olhos
que sufocam:
repressões sufocam-se.
Matam-se! Assassinas…
Delas.

E eu vivo.
Acordei
e mudei
e não disse olás:
amei olhares
que me fizeram cair
para trás
num sem número de almofadas
forradas a Amor.

Porque dizer e acordar e mudar
e tudo-olás-verbos
não implicam um não-Amor.

Porque esse não está.
E o outro
veio comigo…
E já cá estava.

Há Olhar

Posted in Poesia por Hugo Torres em Junho 12, 2005


coisas perfeitas
redondas
de metal
reluzente


coisas

Estranhas


candeeiros
que não iluminam
à luz
do dia


verdes dançantes
por uma só música
que só eu
posso
ouvir


o sol
que se esconde


paredes-muros
cinzentas
que separam


escadas
que cansam


do outro lado
sorrisos
que abraçam


a luz
sob os gritos
do guarda-sol

Fechado


medos
que engasgam


barrigas
de onde
nascem

Pequenas
coisas
insignificantes

Importantes
insignificantes
coisas


a boca
o umbigo


as máscaras
penetrantes

Olho
adentro


o vidro
sujo