Sozinho a desenhar


Olá

Posted in Poesia por Hugo Torres em Junho 22, 2005

Quando acordares
diz baixinho: – Olá!,
ao travesseiro.

Olha para o lado:
olha os olhos:
deixa para lá
o travesseiro.

Não: não
lhe digas olá: olha.
E quando olhares muda.
Existem
gestos no meio dos olhos
que sufocam:
repressões sufocam-se.
Matam-se! Assassinas…
Delas.

E eu vivo.
Acordei
e mudei
e não disse olás:
amei olhares
que me fizeram cair
para trás
num sem número de almofadas
forradas a Amor.

Porque dizer e acordar e mudar
e tudo-olás-verbos
não implicam um não-Amor.

Porque esse não está.
E o outro
veio comigo…
E já cá estava.

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