Sozinho a desenhar


Perfume

Posted in Papel por Hugo Torres em Outubro 20, 2005

Dá-te com a língua nos dentes, cabrão. Desabafa o que te prende ao pulmão o fumo queimado do cigarro. Vomita a massa de tinto do vinho, encabeçada nos cogumelos estragados, na carne roída do cão de olhos de entrega. Vá: desembucha os dentes podres; arrota a ocasião. Abre o livro, cabrão. Desenha-me aqui os traços de ti, animal. Horroriza-me: deixa cair os bolsos. Prende-me a atenção nos teus olhos anémicos. Mostra-me a tua sexualidade mole. E o chuto fraco, enrolado, na bola de trapos das mãos dos meninos que nunca brincaram. Esfrega a meia com o nariz; lança-a ao mar.

Dorme, quentinho. Bons sonhos.

[que morras.]

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