Sozinho a desenhar


Laços

Posted in Papel por Hugo Torres em Dezembro 16, 2005

São as meninas. As dos olhos. Dos meus olhos. As duas lágrimas que lhes correm. A formalidade tecto-família que acaba. A aula que é última. As músicas, os sorrisos, as palavras; os filhos-da-puta-dos-vizinhos-que-chamaram-a-polícia porque não os deixávamos dormir, faziam já muitas horas da manhã. As noites de quase-filmes. Os textos; os manifestos. Os beijos.

Vocês arrepiam-me a cada palavra-passo que dão para fora daqui. Tu porque és a mais bonita de sempre. Porque és um sorriso e és desengonçada e eu gosto de ti. Porque me sufocam todos os beijos que não te dei; porque o teu abraço é quente e o mais seguro. Porque os teus olhos são os olhos desta floresta, que sem ti desertifica. Porque já não sei sem ti.
Tu porque és o mais bonito de sempre. E ensinaste-me isto. E semeaste para que a floresta crescesse. Porque, por ti, ela, ela e ela e eles. E os silêncios. Porque (a)mar. E porque desconfio que se disser mar em voz alta tu me entras pela janela. Pelo metal fundente, pela barba; pelo nariz de palhaço, pelos morangos, pelo ser; pela poesia.

Levem-me convosco: o que fica é carcaça.

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