Sozinho a desenhar


Posted in Papel por Hugo Torres em Dezembro 1, 2006

Meu Amor, a solidão abraçou-me no pôr-do-sol. Sem a inquietante frescura dos teus olhos ou a maresia desenfreada, perco-me das ruas sem alcatrão, no labirinto sujo do pavimento acidentado. Na pequenez do quarto.
As crianças deixaram de jogar à bola, de se fazerem ouvir. O pano enegrecido sobre a cama pacífica desata-me a chorar. Recorro à piedade das pessoas mortas: num livro, noutro. Os carros são os mesmos. Os verdes continuam a não existir. Fazes-me a falta dos pulmões. A amplitude do ar arqueja-me o corpo com os braços para a frente. O nariz parece querer tocar o chão. O umbigo não cede.
Quero brincar, e tu não estás.
Tenho sede. Não me partiste há mais que duas horas.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s


%d bloggers like this: