Sozinho a desenhar


Se os homens fossem cães

Posted in José Manuel Mendes,Post-it por Hugo Torres em Dezembro 26, 2006

Fragmento:

«Ele carregava uma matilha de cachorros no peito, via-se na cara. Deviam uivar minuto a minuto, pelo sono dentro, a qualquer hora. Sorria, sorria quase sempre, mas nós apercebíamo-nos dos rafeiros a latir ao fundo do sorriso. Compreende? Quem é que sabe as porcarias que se escondem no sorriso de um gajo? Um gajo como o senhor, como eu? Naquele sábado, farto de tamanho canil em rebuliço, muniu-se de flores e veio celebrar a memória, que é a única coisa de sagrado na vida de alguém. Em seguida, está-se a ver, adeus crepúsculo, cuida-te mundo que parto para não regressar. Um tiro, uma imperial. Tão simples, amigo. Não acha?»

(José Manuel Mendes, 1997. O Rio Apagado acasos e travessuras. Porto: Campo das Letras)

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