Sozinho a desenhar


Pescadinha de rabo na boca

Posted in Pauta,Post-it por Hugo Torres em Agosto 23, 2007

Os Clã ofereceram ontem a meia centena de seguidores um ensaio geral, num armazém fechado da natal Vila do Conde. (Aos seguidores e a mais punhado, bem significativo, de jornalistas, se é que estes diferem dos outros – aproveito esta caminhada em segundo discurso, já que ela lá estava, para reiterar aqui o meu quando for grande quero ser: a Inês Nadais, do Público, que me encanta mais e mais a cada novo texto, porque me agarra do início ao fim do mais comprido, sem bocejos, sem distracções, com o famigerado brilho nos olhos que os outros, do seio dos seus conhecimentos avassaladores, não arrancam.) Tinha noticiado a coisa aqui, a par do lançamento do novo single, Tira a Teima.

Fui como admirador, não como comentador, com excelente companhia – duas meninas: esta e esta.

Pois bem, as músicas do novo álbum estão excelentes, as novas interpretações de GTI e Topo de Gama estão bem, sim, senhor (melhor a primeira que a segunda), o tema que ficou de fora do alinhamento do disco dá bom pão para surpresas nos concertos e as letras do Tê, numa primeira audição, estão lindíssimas – e eu nem sou grande apreciador do rapaz.

Coisa houve que não agradou nem um pouco: o velho e costumeiro atraso. Pior: com o pessoal primeiro cá fora ao vento gelado do litoral norte e depois lá dentro, rabo no chão duro, à espera, à espera, à espera… Irritou-me particularmente porque não jantei para chegar às 21h00 em ponto e, mais, quase revolucionei os horários da rotina caseira para arranjar um carro que nos levasse a bom porto.
A coisa passou com o início do concerto. (Do ensaio, perdão.) Mas o chão, as costas, a posição dolorosa, as pernas sem eira nem beira… Quem me deu o Theatro Circo, o CCVF, a Casa da Música e a Casa das Artes de Famalicão estragou-me. Podem acusar-me de snobismo. Não digo que não. Mas se já não gosto de ouvir música de pé, sentado no chão, no cimento, é um martírio. Não sei se será tanto uma atitude burguesa, se a simples vontade de dedicar todos os esforços do corpo ao que se passa em palco em vez de o dispersar pelos músculos que, culpa própria – bem sei –, já não demonstram a mesma vontade de outras estações.

Assumo o cada vez maior conforto do espectador como prioridade do copo onde é servido – mesmo que – o melhor dos sumos. Tal como escrevia Beatriz Pacheco Pereira, em Março de 1999, mas sobre cinema: «Eu, pecadora, me confesso. Desde que me habituei a ver filmes em boas poltronas, com som do melhor e um écran de todo o tamanho, não aguento ver filmes, por melhores que eles sejam, em piores condições que estas.» ¹

¹ cf. Beatriz Pacheco Pereira, 2000. Pre-Textos de Cinema. Porto: Granito/ Cinema Novo

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2 Respostas to 'Pescadinha de rabo na boca'

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  1. Hélder Beja said,

    deixaria três considerações:
    1 – andas sempre em muito boa companhia
    2- a parte dos músculos tocou-me especialmente, seu burguês sedentário 😀
    3- não me lembro. mas posso sempre deixar um abraço 😉


  2. […] de Cristal, no Porto, para as Noites Ritual. Born a Lion, Riding Pânico e os novos sets de Clã e David Fonseca são as curiosidades para o […]


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