Sozinho a desenhar


sem agonias de pescoço

Posted in Papel,Post-it por Hugo Torres em Janeiro 1, 2008

Não vou andar com listas de balanço, com pódios mais ou menos justos de encontros e desencontros. Não é que não lhes veja utilidade ou piada. Não sou – de todo – devoto das nostalgias imediatas, é isso. Não isto, não aquilo. Mais: acordar para um novo ano é um acto preguiçoso; musicado, abraçado, espirrado, mas preguiçoso. E do resto é letra.

Sobre as páginas ali, à direita, com as coisas de 2007 empacotadas, logo pesarei prós, contras e demais jogos de tribunal, a deliberar sobre mutações do «7» para o «8». Olhando rapidamente o que ali se fez castelo de ABC de muitos nomes e origens, noto que, no cinema, conheci finalmente João César Monteiro – já era tempo… –, e que tive uma boa relação, serena e contente, apesar de tudo, com o Woody e o Moretti. Na música, nos poucos concertos onde estive durante o ano, Joanna Newsom e Patrick Wolf (ambos no Theatro Circo) foram os que deram mais frutos; finalmente vi Metallica, a fechar a adolescência fora de tempo, ainda que morno; e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco, e José Mário Branco. Que é outra coisa além da música, mas que a tem e possui e ama.

Para a literatura, muda-se de parágrafo. Não li muito. Li quando o coração pediu muito – isso, sim. Foi aqui que encontrei um dos entusiasmos do ano: Luiz Pacheco. Não quero destacar nenhum livro. Apenas os que me ocupam agora o tempo e a perspectiva: Ensaio Sobre a Cegueira (1995), de José Saramago; A Corja (1880), de Camilo Castelo Branco; Ombro, Arma! (1978), de José Manuel Mendes; e Poesia (1944), de Sophia de Mello Breyner Andresen. Deixo Camilo [cf. Camilo Castelo Branco, A Corja, Biblioteca Ulisseia de Autores Portugueses, 2000, p.34]:

A saudade! Ai! Esta palavra nenhuma religião a pôs como penitência, e o abade, quando a sentia, de si consigo, murmurava: «O inferno é isto.»

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Uma resposta to 'sem agonias de pescoço'

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  1. Rui Afonso said,

    Um bom 2008, meu caro!

    Abraço


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