Sozinho a desenhar


«Acima de tudo, a liberdade»

Posted in Luiz Pacheco,Papel por Hugo Torres em Janeiro 6, 2008

Somos tanto o retrato das pessoas por quem nos apaixonamos que, quando essas morrem, nos levam o estômago para a cova.

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Luiz Pacheco (1925-2008)

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3 Respostas to '«Acima de tudo, a liberdade»'

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  1. Rui Afonso said,

    E gosto tanto (o “gostava”, aqui, não se aplicava) de Luiz Pacheco. Discordo, em muito. Mas gosto. E bem.

  2. myjas said,

    K: Mas na sua época também havia máfias, não?
    .
    Luiz Pacheco:Aí é que está. A minha geração, o Cesariny, o Virgílio Martinho, o António Luís Forte, eu, o Manuel de Lima, o Manuel de Castro…
    .
    K: O Gonzalez…
    .
    Luiz Pacheco:Não. Isso já é miséria… Não é por ser mais novo, o Gonzalez é mesmo uma miséria. Não, a nossa geração era muito agressiva, mazinha. Não havia panelinhas… E tanto que nos zangávamos todos uns com os outros. O Cesariny e o Lima de repente detestavam-se. E o António Maria Lisboa zangou-se, o Mário Henrique Leiria zangou-se… Porque essa geração, a do Café Gelo, éramos muito maus uns para os outros. Dizíamos nas caras uns dos outros, escrevíamos coisa uns contra os outros…
    .
    K: Mas essa geração não teve poder. O Cesariny é hoje consagrado porque tem uma editora que o suporta muito…
    .
    Luiz Pacheco:Não, mas ele tem público.
    .
    K: Mas não tem poder.
    .
    Luiz Pacheco:Não quer. Ele fez aquelas pinturas, mas isso é para poder gastar umas coroas ali com os meninos do Rossio. Também deve pagar muito caro porque ele está com uma cara!… Outro dia vi o gajo no Tal & Qual com o Mário Soares… Ele já não tinha os dentes desde muito novo, mas agora tirou a dentadura e está com um queixinho de velha, aquilo vai-lhe até ao nariz, coitado… O Mário teve aqui um problema chato por causa de um magala. Depois foi para Paris, onde havia tudo especializado: boites especializadas, tabelas, pensões… E o Cesariny era um poeta dos urinóis. Chegou a Paris, ia com esse hábito e botou a mão à sarda de um homem que estava a mijar – resultado, foi parar à cadeia. O chefe da esquadra perguntou-lhe: «Então como é isso la-bas? E ele disse: «É como cá»; mas não era, porque o chefe da esquadra disse: «Então você tinha para aí tantas pensões para fazer isso, era preciso ir para o urinol deitar a mão à gaita do outro?»

    Excerto de uma entrevista de Luiz Pacheco à revista K, em Julho de 92.

  3. José Pedro Monteiro said,

    É pa, apanhou-me de surpresa. No preciso momento em que estava a ler os exercicios de estilo. TInha a esperança que um gajo com 23 doenças só pudesse morrer depois dos cem… Ainda tinha esperança de ler mais algumas entrevistas…merecida homenagem


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