Sozinho a desenhar


Mobilidade literária

Posted in Jornalismo,Media por Hugo Torres em Março 3, 2008

O trabalho tem sido muito e as novidades (uma delas fúnebre, mas logo fénix) não tardam. E pelo andar rápido da carruagem não dei aqui conta da primeira edição impressa do ComUM (primeiro número do novo fôlego, sabe bem quem conhece o projecto; os restantes ficam agora a saber da década de andanças da publicação). Dou agora. Até porque, com muito gosto e carinho, participei na estreia, cronicando. Deixo a vénia à equipa, mais um pedaço do texto:

O comércio fora da porta, com lonas publicitárias e smarts pintados com a ideia primeira do Miguel, a feira dos livros destacados. Por ali acima era a subir com o Pepetela ao lado – isto, sim, frio na espinha: senhor, senhor… desculpe, senhor. «Senhor não, camarada», já sei, Manuel, mas que queres? O Ondjaki, senhor camarada, sempre em todo o lado, a saltar as vedações do primeiro balcão para as cadeiras vagas por pouco tempo. Era para lhe lembrar: «O mar em redor de mim – não tanto uma casa para habitar, mais para estar.» E confrontá-lo com a maresia da minha Póvoa que sobe pela António Graça, salta as escolas e ainda chega viva ao auditório; o vento. Ia confrontá-lo, com a vossa Angola. Até lembrar que o primeiro passo é apertar-lhe a mão e que esse é um passo muito complicado. Observei-o muitas vezes. É um miúdo.
O que é sair genuinamente satisfeito de meia semana de Correntes d’Escritas, Manuel? Comigo, antes de mais, é Mia Couto. Ouvir-lhe a serenidade e afastar a ideia de ícone pop que ainda ocupa na estruturação do mundo. (Afinal, somos apaixonados ou não somos? Prefiro-o no posto ao Morrison. Veremos que uma coisa é uma outra e que o espaço não esgota.) O valter explicou a infância: «digo que via coisas como quem vê o que não existe». Pois, está bem. Mas esta infância renovada dos livros, cheia, é de todo palpável, concreta. Uma alegria impulsionadora.

Hoje, sai o segundo número. (E é a vez do outro co-refundador do ComUM, o Hélder, dar asas à pena.)

ó professor, mas…

Posted in Jornalismo por Hugo Torres em Agosto 30, 2007

entre tentativas gastronómicas, falhas técnicas, explosões de circo – muita parra e pouca uva – de fogão e, finalmente, ter comida para dar ao dente, só apanhei a fase final do Primeiro Jornal da Sic. (calhou: podia ter sido – e por norma, é – o Jornal da Tarde da RTP1.)

por que tem isto referência? simples: numa altura do já-não-temos-mais-que-lhe-diga-até-à-novela-da-tarde, depois de um asiático qualquer a puxar um par de metros um comboio com os dentes (!), eis que aparece, lá no finzinho, para não incomodar ninguém, uma peça pequenina a informar que Serralves vai fazer alguma coisa… qualquer coisa… bom, não sabemos bem: deixemos um senhor qualquer abrir a boca, enquanto a malta faz o mesmo (para bocejar).

há horas em que me apetece mandar os senhores editores para as putas que os pariu. vá, umas vezes mais que outras.

o preto, o vermelho e as orelhas de burro

Posted in Jornalismo,Pauta por Hugo Torres em Agosto 3, 2007

white_stripes.jpgPermito-me copiar as três citações de Jack White (White Stripes) presentes no The Music Slut, que remetem para a [revista] Interview de Agosto:

«Journalists are inherently the laziest people on earth. Even in the age of Google, they don’t do any work to check what they’re writing about. I’d say 90 percent of what they get is from the press release. We have fun putting things in there – like in the press release for ‘Elephant’, somebody inserted a joke about how none of our studio equipment was made after 1963.»

«Before you knew it, people thought we wouldn’t touch a piece of equipment unless it’s 60 years old! It gets to the point where you’re answering questions based on a joke somebody made.»

«Anytime I pick up a music magazine, I assume 90 percent of it is incorrect, so I make up my own things to believe. Everyone knows the phrase ‘Don’t believe everything you read,’ but how many people actually practice it?»

Depois de visto o Almost Famous (Cameron Crowe, 2000) – e relembrar que os jornalistas culturais foram na base apaixonados (vou descartar aqui, inocentemente, os artistas por cumprir) –, as minhas perguntas são: porquê mentir?, o que pensa destas declarações o único jornalista dedicado às artes da pequena redacção sem meios, a braços com as centenas de informações diárias, que não pode confiar num simples comunicado oficial sobre o gear utilizado na gravação de um álbum?, e o que pensa este do dedo que de seguida lhe é apontado?
O rapaz até podia dizer a mesmíssima coisa, sem cair no gozo do trabalho alheio. Há, com certeza, péssimo jornalismo para servir de exemplo a esta conversa. Tenho para mim que o bom jornalismo não se faz em buscas de adolescente obcecado por ídolos de barro – já os ia escrevendo o Gedeão.

O Rascunho conta-nos mais sobre Get Behind Me Satan (2005), Icky Thump (2007), os últimos discos dos White Stripes, e a estreia em palcos portugueses, no Alive, em Junho deste ano.

[a foto é a que acompanha o artigo original.]

A23

Posted in Jornal,Jornalismo,Post-it,Sugestão por Hugo Torres em Junho 4, 2007

Esta menina deu-ma para as mãos. Que a levasse. Para ver e ler e sentir o perfume das páginas. No cabeçalho diz: A23. (É como se chama.) Não conhecia.

É uma revista. Ou um jornal. Enfim, é uma coisa de papel e tinta com palavras dentro. E fotografias. E é um projecto bastante interessante: trata de falar da cultura à malta da Beira Interior – tem sede no Fundão. É gratuito. (O número que tenho é o primeiro, datado do Inverno de 2006 – é trimestral. O destaque de capa titula Música no Interior.)

Peca pelo provincianismo de alguma escrita, própria das mais diversas publicações (principalmente nos órgãos locais e regionais). Tiradas como a seguinte são de todo dispensáveis: «A Câmara Municipal de Castelo Branco está de parabéns por ter sido uma das primeiras autarquias do país a aderir ao Programa Território Artes, para aceder a espectáculos co-financiados pelo Ministério da Cultura.» (p.4) Ou lugares comuns como este: «Porque a música torna-nos melhores pessoas, mais cultas e mais sensíveis, de coração aberto à poesia da vida.» (p.8)

À parte isto, sinto-o vivo. E não é que ao primeiro virar de página há um inédito do António Ramos Rosa? Este:

A um tu genérico après tout
(No primeiro dia, às 4.30 da noite)

Eu serei o que tu pensares
e não poderás saber
e hás-de pensar sem saber
para saberes
o que eu próprio nunca soube
eu serei o que nunca fui
só tu é que poderás saber
e saberás por não saber
e já sem qualquer tensão
envolverás o que não fui
no que para ti serei
irrevogavelmente
porque terei de ser o que fui
não sendo embora nunca nada
na agitação de ser quem fui
perdidamente incapaz de morrer
na morte de cada instante
sem disfarçar o meu fulgor
sem estancar a minha sede
morrendo de ser o que era
e não ser porque não morro
e amando a inatingível fonte
que em mim murmurava incertamente
com o olhar que não era nada
no silêncio de ser sempre o silêncio
de uma sombra que caía como um pássaro morto.

António Ramos Rosa

press(ionar)

Posted in Jornalismo por Hugo Torres em Abril 12, 2007

pois. não tenho muito mais a dizer.

proposta para hoje e amanhã

Posted in Jornalismo,Media,Sugestão por Hugo Torres em Março 26, 2007

Online entra nos Prémios de Jornalismo do CPI

Posted in Jornalismo por Hugo Torres em Março 19, 2007

Diz hoje a Meios & Publicidade (assina Hugo Real):

«Dois prémios dedicados ao jornalismo online. Estas serão as novidades que o Clube Português de Imprensa (CPI) vai incluir na edição de 2007 dos Prémios de Jornalismo do CPI, que este ano retomam a periodicidade anual. A introdução da distinção de uma cacha e de um feature publicados nos meios online foi decidida após um acordo entre a Lusa e o CPI, revela a agência noticiosa.

Este acordo prevê ainda a “promoção de iniciativas regulares entre as duas entidades, designadamente, sobre matérias relacionadas com a Lusofonia ou a União Europeia”, acrescenta a Lusa.»

Esperamos para ver como corre.

nova morada

Posted in Jornalismo,Media,Sugestão por Hugo Torres em Janeiro 17, 2007

O projecto Mediascópio mudou-se para a rua WordPress – a campainha é agora em mediascopio.wordpress.com. A alteração do endereço deveu-se a «15 dias de “jejum” obrigatório, motivado por um bloqueamento do acesso, tão incompreensível como inaceitável, por parte do Blogger.com», explica Manuel Pinto.

O ‘Jornalismo e Comunicação’, que mantém os seus arquivos disponíveis na antiga morada, é o segundo dos blogues do corpo docente de jornalismo da Universidade do Minho a migrar para esta nova plataforma. O primeiro foi o Atrium, assinado por Luís Santos. Sobra ainda o Intermezzo, da autoria de Daniela Bertocchi.

do futuro

Posted in Jornalismo,Media por Hugo Torres em Janeiro 17, 2007

São duas as chamadas de atenção para o novo dia. A primeira chega-nos da Meios & Publicidade, que noticia (link necessita de login – registo gratuito) que «os criadores dos projectos Skype (telefone através de internet) e Kazaa (partilha de ficheiros através do protocolo peer-to-peer) anunciaram ontem que o novo serviço de televisão para internet que estão a preparar começará a funcionar em pleno no Verão de 2007, sob o nome Joost

E apenas mais um parágrafo: «O serviço, que já se encontra em fase de testes, é descrito pelos criadores, Niklas Zennstrom e Janus Friis, como “uma nova forma de ver televisão na internet”, usando as novas tecnologias para fornecer aos utilizadores “o melhor da internet e da televisão”. Garantindo que o projecto está a salvo da pirataria e que irá respeitar os direitos de autor dos proprietários dos conteúdos, o director-executivo do Joost, Fredrick Wahl, manifestou-se confiante quanto ao sucesso deste novo serviço.»

O segundo ponto, confesso, é um pouco parodiado. Contudo, não deixa de merecer a devida atenção e, até, reflexão. Serve-se então a pergunta: já pensaram nas abelhas como salvadoras do mundo? ‘O Apicultor’ (seguir ‘Editorial’, à direita) já: «Segundo Einstein, referindo-se ao conhecimento ancestral dos Chineses, se as abelhas desaparecessem da face da terra, muito em breve, o homem seguiria os mesmos passos. Este aspecto prende-se, essencialmente, com a necessidade de reprodução, comum a todos os seres vivos. Neste caso específico, é através da polinização das plantas, que tudo se torna possível. Esta é a nossa grande preocupação e, em especial, a de todos os apicultores, que através da manutenção das suas colónias são o garante da perpetuação das espécies

Esta última chegou do conhecimento alargado do espaço mediático do camarada Sílvio.

Impresa adquire 67% da New Media

Posted in Jornalismo por Hugo Torres em Janeiro 12, 2007

O antigo companheiro de curso Hugo Real noticia hoje (link necessita de login – registo gratuito) na edição online da Meios & Publicidade que «o grupo Impresa, de Francisco Pinto Balsemão, comunicou ontem à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) a aquisição de 67% no capital social da New Media, empresa especializada na gestão e aquisição de conteúdos digitais, num investimento cifrado em 474 mil euros.»

Continua: «
Ainda de acordo com a nota, a New Media tem como objectivo a exploração de “oportunidades na aquisição e gestão de direitos de autor em conteúdos de valor acrescentado nas áreas de entretenimento baseados em vídeo, videojogos e música num ambiente de distribuição digital multiplataformas”.»

Será também isto um sinal dos tempos?

Talvez contextualizando: «De recordar que nos últimos meses a Impresa tem estado bastante activa em termos de aquisições. Em Agosto a empresa entrou no capital da AdTech, empresa de criação, implementação e gestão de canais multimédia, que passou a controlar no mês de Setembro. No início de Outubro foi a vez do grupo adquirir a totalidade da editora Som Livre, num negócio que ascendeu os dois milhões de euros. Já em Novembro foi a vez da Impresa comprar 50,1% da AEIOU, S.A. (empresa detentora do portal com o mesmo nome), num investimento de 1,25 milhões de euros.»

Nota: o título deste post é também o título da notícia da M&P, pelo que o seu autor tem por nome Hugo Real – o seu a seu dono.

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