Sozinho a desenhar


ar condicionado

Posted in Papel,Pedra por Hugo Torres em Janeiro 16, 2008

Sabemos do pouco que valem estas classificações, estas tabelas de gosto, enfim. Sabemos que servem apenas para inchar os «egos indígenas mais saloios». De qualquer forma, é bonito ver uma vizinha representada na lista das 10 melhores livrarias do mundo, na opinião do jornalista Sean Dodson, do The Guardian: a Lello [na foto], no Porto, em terceiro lugar. À cabeça está a Boekhandel Selexyz Dominicanen, em Maastricht, Países Baixos.

livraria_lello.jpg

Obrigado pela dica, Bibliotecário de Babel.

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empalhar a arte?

Posted in Pedra,Película,Post-it por Hugo Torres em Agosto 5, 2007

taxidermia1.jpgA madrugada foi do Taxidermia. O filme, produção partilhada pela Hungria, Áustria e França, passou pelo Fantasporto este ano e foi distinguido com o Prémio Júri do Público/ Jornal Público. O primeiro adjectivo que me saiu foi: grotesco. Depois lembrei-me da crónica do filósofo José Gil no ‘Courrier Internacional’ Nº 118 (6 a 12 de Julho, 2007), a propósito da exposição Bodies, aberta ao público português a 5 de Maio no 42 da Rua da Escola Politécnica, em Lisboa – o Palácio dos Condes do Restelo –, e onde se mantém até final de Setembro. [A tradução da exposição para português ficou: O Corpo Humano Como Nunca o Viu.]

Então, José Gil ia assim, com os limites da arte por horizonte:

«(…) Trata-se de uma exibição de cadáveres reais de chineses condenados à morte e recuperados para serem submetidos a uma técnica especial que os preserva, permitindo mostrar os órgãos com um realismo impossível de atingir por outros meios. Expõem-se corpos inteiros, cortados às fatias tomográficas, órgãos artisticamente arranjados, assim como sistemas anatómicos, a pele destacada da carne e o esqueleto. (…)

(…) O visceral, o escondido o que escapava ao olhar vinham à tona, submergindo o que, na representação clássica do corpo, compunha a sua beleza (a aparência). De certo modo, essa subversão da ordem interior/exterior começara com a arte moderna (Soutine, Bacon), mas respeitando a dimensão velada, se não sagrada, do interior. (…) O corpo, numa certa ‘tendência’ da arte contemporânea, é aberto e destituído pelo princípio da sua exposição infinita. Deixa de ser o ‘lugar da alma’, para ser o espaço ocupado por uma máquina (como Duchamp o antecipou no Grande Vidro).

(…) a Exposição ‘Bodies’ vai mais longe: a ‘inquietante estranheza’ (que Freud enraizava no medo da castração e da morte) mistura-se agora com o horror. Não só porque o corpo é totalmente reificado (sem interior), mas porque não nos é possível esquecer que são corpos reais (…) Schelling dizia, a propósito da inquietante estranheza: o que deveria permanecer escondido é mostrado. (…) Agora mostra-se que não existe um escondido, e que a vida e a morte se confundem no horror – pura questão de organização de imagens.»

Deixo-vos o trailer do Taxidermia (2006):