Sozinho a desenhar


cinema, ali, daqui para a frente

Posted in Papel,Película por Hugo Torres em Janeiro 11, 2008

Descobri o que fazer com a página de cinema. Em 2008, vai ser assim: ficam registados todas as idas ao cinema, as visitas ao DVD sempre que possível e as emissões de televisão que justifiquem a memória.

De resto, e além das vontades claras para ver na tela durante o ano, que ainda são algumas e não vou enunciá-las a todas, fica agora expresso um formigueiro, em versão trailer: Juno, não apenas pelo filme que promete ser – seguindo a linha de comédia inteligente de Little Miss Sunshine –, mais prémios e nomeações que já conta, mas também pela actriz principal, Ellen Paige, admiração pessoal desde Hard Candy.

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a ver, a ver, a ver…

Posted in Pauta,Película,Sugestão por Hugo Torres em Setembro 7, 2007

Ontem, hoje e nos próximos dois dias estou pelo Festival Internacional de Vídeo Musical da Póvoa de Varzim. Podem acompanhar as andanças no blogue que o Rascunho criou propositadamente para a iniciativa, aqui. Para já, na companhia têm andado os amigos Miguel e Gonçalo. Apareçam – quem não estiver de vermelho.

sub specie aeterni (IV)

Posted in Película,Sugestão por Hugo Torres em Agosto 28, 2007

Quatro incontornáveis num só momento: Stanley Kubrick na realização, Jack Nicholson na interpretação, Stephen King na escrita e Wendy Carlos na banda sonora. (Fosse isto um concurso e quantos vencedores teríamos?) Pois bem, 1980, um dos meus preferidos: The Shining.

Penso que o filme tem dois momentos absolutamente marcantes para a História do Cinema. Este não é nenhum deles. Mas é, provavelmente, o grande twist da coisa. Não escolho por aí, mas apenas por paixão ao momento. (Da Shelley Duvall, lembro-lhe apenas o Underneath, do Soderbergh, em 1995 – alguém com memória maior?)

da crítica

Posted in Película,Post-it por Hugo Torres em Agosto 21, 2007

Ratatouille, de Brad Bird, não é mais um filme de animação. É um excelente exemplo (quem sabe, o divino exemplo) da união das forças Pixar e Disney. Mas não vou alongar-me sobre a obra mais que isto: brilhante, paguem bilhete.

Interessa-me um discurso sumário de Anton Ego, crítico gastronómico que segura na mão – ou na pena – a fatalidade. Eis o que a memória retém – principalmente a deste que vos escreve – na fidalga voz de Peter O’Toole:

«In many ways, the work of a critic is easy. We risk very little yet enjoy a position over those who offer up their work and their selves to our judgment. We thrive on negative criticism, which is fun to write and to read. But the bitter truth we critics must face is that, in the grand scheme of things, the average piece of junk is more meaningful than our criticism designating it so. But there are times when a critic truly risks something, and that is in the discovery and defense of the new.»

anton_ego.jpg

sub specie aeterni (III)

Posted in Película,Sugestão por Hugo Torres em Agosto 20, 2007

hoje vamos ao clássicos do cinema português. a escolha recai sobre o Ala-Arriba!, de Leitão de Barros, datado de 1942, que retrata as raízes simples da minha natal Póvoa de Varzim. e é por esta última que o recorda agora. para aproveitar e sugerir o ViMus – Festival Internacional de Vídeo Musical, que acontece naquela cidade costeira de 6 a 9 de Setembro, e que o Rascunho já está a acompanhar – aqui.

quanto ao trecho, não é particularmente memorável. mas retrata duas realidades fatais na vida desta comunidade piscatória: a barra e o peixe pelas guelras. (no que diz respeito à cinefilia, a película é consorte de algum do cinema europeu da altura, especialmente do italiano – vivia-se então o nascimento do Neo-realismo, que deu ao cinema nomes como Rosselini ou Visconti.)

sub specie aeterni (II)

Posted in Película,Post-it por Hugo Torres em Agosto 17, 2007

com o pedaço de História do Cinema de hoje, segue pedaço de um escrito de Beatriz Pacheco Pereira, publicado em Dezembro de 1998 (e antologiado no simpático Pre-Textos de Cinema – edição conjunta da Granito e Cinema Novo, em 2000, financiada pelo Fantasporto). vão de mãos dadas porque versam os dois sobre a mesma obra: Gato Preto, Gato Branco, de Emir Kusturica (1998). Lê-se assim:

«O caso é particularmente preocupante quando, e pensemos num filme francês por exemplo, se pretende agradar ao mercado, já de si reduzido, impondo-lhe um modelo estereotipado de narrativa e de realização. A habituação posterior a este modelo acaba por criar nos espectadores um desejo de continuação nos mesmos moldes, o que cerceia a criação e a inovação. Por isso se fazem filmes portugueses a imitar a típica narrativa norte-americana, por isso um filme “à italiana” hoje se parece muito com os feitos nos anos 40, por isso, os criadores norte-americanos repetem a mesma fórmula (e com sucesso) desde John Ford. Todos diferentes, todos iguais.»
(p.33)

depois segue para a elegia do filme. não me vou alongar. fica já o momento escolhido – a celebração de uma morte anunciada:

sub specie aeterni

Posted in Película por Hugo Torres em Agosto 13, 2007

vamos dar uma voltinha ao cinema nos próximos dias? eu proponho – vocês dão uma olhadela, se assim ditar o tempo e a vontade. (o título da rubrica é sinónimo de alguém que está mesmo a armar-se em espertalhão: está no Crepúsculo dos Ídolos, de Nietzsche, traduzido por Artur Morão, e significa «numa perspectiva de eternidade».)

esta é uma cena de Pulp Fiction (Quentin Tarantino, 1994). Samuel L. Jackson é brilhante; o diálogo é fabuloso; o pormenor do Travolta, já lá para o final, a preparar a arma como se estivesse a ajeitar posição na igreja é delicioso.

«il posto ideale, il vuoto cosmico prima del Big Bang»

Posted in Película por Hugo Torres em Agosto 10, 2007

Mais uma noite simpática para o cinema europeu: 1.000 dos 5.000 metros quadrados do Cinecittà, nos arredores de Roma, foram consumidos pelas chamas. A notícia é do Público.pt e a foto do Corriere della Sera.

cinecitta.jpg

A ‘Hollywood do Tibre’, já com 70 anos completos, viu Fellini – que assina o título deste post; o dito visa a Cinecittà – filmar Dolce Vitta (1960), Satyricon (1969), Amarcord (1973) e E la Nave va (1993). O afamado Ben Hur (1958), de William Wyler, também foi realizado por aquelas paragens, que hoje em dia albergavam a rodagem de Roma, série que a RTP 2 leva ao ar. De lembrar ainda que o Centro Sperimentale di Cinematografia, na Cinecittá, foi escola de Michalangelo Antonioni.

mãe, quem são estes senhores?

Posted in Película por Hugo Torres em Agosto 9, 2007

Woody Allen foi entrevistado por Richard Corliss, para a Time, ainda sobre a morte de Bergman. A conversa começa com Antonioni – «(…) he was a wonderful ping-pong player. I played with him; he always won because he had a great reach. That was his game.» –, mas logo passa para o sueco. A falar do seu realizador predilecto, Woody é único e mantém-se, como é seu apanágio, fora do comentário apagado, técnico e cinzento – «There’s so much feeling on the screen that you think he had to have a serious life. But he was a ladies’ man. He loved relationships with women.»

woody_allen.jpg

Fica um bocadinho:

R.C.: If someone who hadn’t seen any of his films asked you to recommend just five, what would be your Bergman starter set?

W.A.: The Seventh Seal, Wild Strawberries, The Magician, Cries and Whispers and Persona.

R.C.: Many directors would be happy to have made just those five films.

W.A.: Or one of them.

[a dica veio do sound + vision]

empalhar a arte?

Posted in Pedra,Película,Post-it por Hugo Torres em Agosto 5, 2007

taxidermia1.jpgA madrugada foi do Taxidermia. O filme, produção partilhada pela Hungria, Áustria e França, passou pelo Fantasporto este ano e foi distinguido com o Prémio Júri do Público/ Jornal Público. O primeiro adjectivo que me saiu foi: grotesco. Depois lembrei-me da crónica do filósofo José Gil no ‘Courrier Internacional’ Nº 118 (6 a 12 de Julho, 2007), a propósito da exposição Bodies, aberta ao público português a 5 de Maio no 42 da Rua da Escola Politécnica, em Lisboa – o Palácio dos Condes do Restelo –, e onde se mantém até final de Setembro. [A tradução da exposição para português ficou: O Corpo Humano Como Nunca o Viu.]

Então, José Gil ia assim, com os limites da arte por horizonte:

«(…) Trata-se de uma exibição de cadáveres reais de chineses condenados à morte e recuperados para serem submetidos a uma técnica especial que os preserva, permitindo mostrar os órgãos com um realismo impossível de atingir por outros meios. Expõem-se corpos inteiros, cortados às fatias tomográficas, órgãos artisticamente arranjados, assim como sistemas anatómicos, a pele destacada da carne e o esqueleto. (…)

(…) O visceral, o escondido o que escapava ao olhar vinham à tona, submergindo o que, na representação clássica do corpo, compunha a sua beleza (a aparência). De certo modo, essa subversão da ordem interior/exterior começara com a arte moderna (Soutine, Bacon), mas respeitando a dimensão velada, se não sagrada, do interior. (…) O corpo, numa certa ‘tendência’ da arte contemporânea, é aberto e destituído pelo princípio da sua exposição infinita. Deixa de ser o ‘lugar da alma’, para ser o espaço ocupado por uma máquina (como Duchamp o antecipou no Grande Vidro).

(…) a Exposição ‘Bodies’ vai mais longe: a ‘inquietante estranheza’ (que Freud enraizava no medo da castração e da morte) mistura-se agora com o horror. Não só porque o corpo é totalmente reificado (sem interior), mas porque não nos é possível esquecer que são corpos reais (…) Schelling dizia, a propósito da inquietante estranheza: o que deveria permanecer escondido é mostrado. (…) Agora mostra-se que não existe um escondido, e que a vida e a morte se confundem no horror – pura questão de organização de imagens.»

Deixo-vos o trailer do Taxidermia (2006):

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