Sozinho a desenhar


estava eu a dizer e…

Posted in Léxico,Política por Hugo Torres em Novembro 15, 2007

Quem tem acompanhado os comentários do historiador Rui Tavares e da jornalista Helena Matos na últimas página do Público? O primeiro começou, terça-feira, por cumprimentar Zapatero pela postura democrática a propósito da polémica que envolve o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o Rei espanhol, Juan Carlos de Borbón, na Cimeira Ibero-Americana. E reprovou a postura real. A segunda fez do texto a massa ideológica preconceituosa do costume e disparou que Chávez era o «ditador de estimação» de Rui Tavares. E foi por aí fora.

O historiador dá hoje conta de vários percursos que vão «da amálgama à amálgama», explicando que «antes de ser de esquerada» é «antitotalitário». E, de encontro ao meu último post, escreve assim:

Chávez chama “fascista” a Aznar mais ou menos como Helena Matos chama “ditador” a Chávez – de forma repetitiva e sem a mínima consideração pelo significado das palavras. Reagindo a isso, Zapatero pediu respeito pelo seu antecessor e pelo povo que o elegeu. Mas foi talvez outra coisa que fez dele, naquele momento, um campeão da democracia: ter exigido respeito pelas palavras, que são os alicerces do debate honesto. Aznar não é um “fascista”. Nem a um adversário se devem distorcer as palavras. “Fascista” não significa dirigente eleito de que Chávez não goste, tal como “ditador” não significa dirigente eleito de que Helena Matos não gosta. Leio a resposta de Zapatero assim: sobretudo a um adversário não se devem distorcer as palavras.

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Como se diz normalizar em inglês?

Posted in Papel,Política por Hugo Torres em Novembro 8, 2007

Há uns tempos discutia, entre amigos, a ideia de que a União Europeia – e, especificamente, o Processo de Bolonha – acabaria por normalizar os povos do Velho Continente, numa aculturação liderada pelos mais poderosos e submissão dos mais pequenos, que perderiam a identidade. Em grande parte, não concordei. E assim continuo. Mas esta semana recebo a notícia de que, a propósito do Processo de Bolonha, se quer «internacionalizar» os segundos ciclos do Ensino Superior (o mestrado, na antiga hierarquia académica) na Europa, passando as Universidades a ministrar os ditos apenas em inglês.

Ora, se o ajuste formal – na sua linha ideológica de mobilidade de base e apesar da implementação caótica em Portugal – é engolido com algum custo, esta nova promessa desagrada em pleno. Não deixo sequer abertura à discussão. Se quiser frequentar um segundo ciclo em Itália, aprendo italiano. (Reparem: é aprender, faz parte.) Porque é uma opção minha ir e não uma obrigação deles receber-me. A mobilidade não está em causa. E a língua inglesa não pode calcar todas as outras apenas por causa da sua supremacia neste momento da História.

Não tenho qualquer dificuldade com a língua e admito que a maioria também não tenha, ou tenha poucas. Nem sequer é esse o ponto. É a possibilidade da morte de todas as outras nas elites europeias. Não pode acontecer!

3, 2, 1…

Posted in Política por Hugo Torres em Julho 4, 2007

«Gee, I wish we had one of them doomsday machines ¹